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Uma divida de honra
por Leonardo Burgueño, jornalista do Diario
El Mercurio, de Santiago (CHI)
O Chile nunca conseguiu ganhar o campeonato continental,
apesar de ter sido vice-campeão quatro vezes
e estar em quinto lugar na tabela geral do torneio.
Até parece uma espécie de maldição,
mas o Chile é um dos três países
sul-americanos que nunca conseguiram ganhar a Copa América
em suas quarenta edições. E os números
não são tão desfavoráveis
para a Seleção Vermelha (=a Roja), que
chegou quatro vezes ao segundo lugar e na tabela geral
está em quinto lugar, atrás da Argentina,
Uruguai, Brasil e Paraguai.
Mas nunca o troféu principal atravessou para
o lado oeste da cordilheira dos Andes, apesar de contar
com plantéis que poderiam ter proporcionado a
alegria esperada. A história mostra que ele quase
chegou lá em 1955, 1956, 1979 e 1987.
Na primeira vez, o torneio foi disputado em Santiago
e não teve a participação nem do
Brasil, nem da Bolívia, nem da Colômbia.
A seleção chilena apresentou um time onde
o destaque era Jorge Robledo, um centro-avante que ficou
na história do Newcastle da Inglaterra, nos tempos
em que a exportação de jogadores para
a Europa não era coisa corriqueira. O time dirigido
por Luis Tirado perdeu a final com a Argentina.
Um ano mais tarde, o torneio foi transferido para Montevidéu
e o Chile levou vários integrantes da seleção
que no Mundial de 1962 conseguiria o histórico
terceiro lugar: o goleiro Misael Escutti e os atacantes
Jaime Ramirez Banda e Leonel Sanchez. Novamente Tirado
era o técnico e novamente o que se conseguiu
foi um segundo lugar.
Foi preciso mais de duas décadas e sete edições
para o Chile voltar a aparecer entre os primeiros. Pela
mão de Luis Santibãnez, um grupo de jogadores
apoiados na linha de fundo por Elias Figueroa e Alberto
Quintano, chegaram ao Grupo 1, onde estavam Colômbia
e Venezuela, depois venceram o Peru e na final toparam
com o Paraguai. Uma derrota de 3-0 em Assunção,
uma vitória de 1-0 no estádio Nacional
e um empate de 0-0 no estádio de Vélez
acabaram consagrando os paraguaios.
Mas foi na Argentina que, oito anos depois, apareceu
uma equipe que entusiasmou a todos. Principalmente depois
do mítico 4-0 sobre o Brasil em Córdoba,
com dois gols de Ivo Basay e dois de Juan Carlos Letelier.
Depois veio o emocionante 2-1 sobre a Colômbia.
Um jogo que surpreendeu o próprio time, já
que tinha começado perdendo de 1-0. Até
que voltou a topar com uma pedra no caminho. Daquela
vez foi o Uruguai e o "Professor" Bengoechea.
Depois, com o estímulo da vitória do
Colo Colo na Copa Libertadores, a aparição
de Iván Zamorano e a organização
do torneio, chegou em terceiro lugar em 1991. E em 1999
chegou novamente nas semifinais com Nelson Acosta como
técnico.
Agora tudo é diferente. O olhar do treinador
Juvenal Olmos se dirige para a Alemanha-2006. Este é
o grande objetivo da Equipe Vermelha.
A Copa América, apesar de ser uma dívida
de honra exposta nas vitrines da Avenida Quilín,
não é uma prioridade. Mas também
ninguém quer deixá-la de lado, especialmente
agora que deve contar com os melhores jogadores que
tem na Europa e América do Sul.
O treinador terá todos os seus homens a disposição
e assim poderão trocar entre si experiências
de 88 temporadas históricas. É difícil,
mas as maldições também não
duram cem anos.
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