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Lição de história
por José Orlando Ascencio, jornalista do Diario
El Tiempo, de Bogotá (COL)
A Colômbia enfrenta um desafio inédito
na Copa América. Um país com poucos títulos
internacionais (a Copa Libertadores de Nacional em 1989,
um campeonato sul-americano juvenil em 1987, um pré-juvenil
em 1993 e duas vitórias no torneio Esperanzas
de Toulon em 1999 e 2000), entra pela primeira vez na
Copa como campeão.
Com apenas dois jogos oficiais e dois amistosos com
o novo treinador (Reinaldo Rueda, de 46 anos), a Colômbia
tentará mudar a imagem de equipe com bom toque
de bola, mas com saída de bola lenta e sem profundidade,
que mostrou nos últimos anos. Porém, não
rompe completamente com o passado. De fato, em seu primeiro
jogo oficial, teve oito jogadores que estiveram na Copa
América 2001, quando a Colômbia foi campeã.
A defesa colombiana não sofreu mudanças
profundas. Rueda conta quase com a mesma base de time
com que Francisco Maturana contou. A diferença,
até agora, está no meio-campo: Rueda não
tem um dez clássico. Nos últimos 15 anos,
a Colômbia baseou seu jogo no talento de Carlos
Valderrama. Quando Valderrama deixou a seleção,
depois do Mundial da França, em 98, os técnicos
que passaram pelo banco da Colômbia tentaram achar
um substituto para ele. O que rendeu melhores resultados
foi Giovanni Hernandez, mas não era igual ao
"Pibe".
Rueda tentou uma nova tática, com volantes com
mais desenvoltura física, maior velocidade e
chegando mais na área. Desta forma também
supre a ausência de centroavantes dribladores,
pois os atacantes de que dispõe são mais
de choque e força, como Juan Pablo Ángel
e Sérgio Herrera. No primeiro jogo oficial, contra
o Peru, em Lima, essa solução deu certo:
ganhou com os gols de dois desses meio-campistas, Freddy
Grisales e Frankie Oviedo.
Em direção ao futuro
Embora a defesa do título da Copa América
seja o objetivo principal, Rueda repete sempre que é
preciso começar a criar uma seleção
colombiana para o futuro, para a qual pretende escalar
os jogadores que teve nas seleções juvenis.
"Não podemos interromper o trabalho com
esses jogadores e aos poucos eles irão se integrando
ao trabalho da seleção. Esse grupo de
jogadores nascidos em 1983 e 1984 terão a idade
ideal para enfrentar as eliminatórias do Mundial
de 2010", disse Rueda.
Não seria estranho se algum dos jogadores que
esteve na equipe que terminou em terceiro no Mundial
dos Emirados Árabes Unidos fosse convocado para
a Copa. Na sua estréia oficial nas eliminatórias,
como técnico da seleção nacional,
Rueda chamou o volante Abel Aguilar de apenas 19 anos,
jogador do Deportivo Cali e um dos que mais se destacou
no torneio Sub-20. Além disso, vários
jogadores dessa equipe já estão no futebol
estrangeiro, como Avimiled Rivas, que joga no Polideportivo
Ejido, da segunda divisão da Espanha, e José
Julian de la Cuesta, contratado este ano pelo Cádiz
da Espanha.
Sem perder de vista a Copa América e as eliminatórias,
Rueda começa a procurar os sucessores do inesquecível
grupo que fez o nome da Colômbia ecoar no mundo
do futebol, no começo dos anos 90. Lá
já não estão Carlos Valderrama,
nem Faustino Asprilla, nem Adolfo Valencia, nem Freddy
Rincón, mas os que vieram depois deles e os que
virão a assumir suas posições,
nos próximos anos, querem mostrar que a lição
dada pelos pioneiros foi bem aprendida.
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