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Hora del descubrimiento
por Jorge Savia, jornalista do El País, de Montevidéu
(URU)
De certa forma, pode-se dizer que o Uruguai vai estrear
um novo técnico, na Copa América; pois,
como disse muito bem o próprio Jorge Fossati,
que acaba de substituir Juan Ramón Carrasco -
como conseqüência direta da derrota histórica
que sofreu a equipe celeste no próprio Estádio
Centenário, no 31 de março último,
contra a Venezuela - sua verdadeira estréia como
treinador da seleção será nos compromissos
diante do Peru e Colômbia, numa situação
de "emergência".
Muito bem, de acordo com as expectativas criadas neste
tipo de circunstâncias, não temos certeza
do que possa acontecer com o Uruguai, já que
nem mesmo o treinador sabe com quem poderá ou
não contar para a competição.
Isto é, Fossati parece bastante ciente de que,
desde o princípio de seu trabalho no futebol
uruguaio, o nível da seleção caiu
nos últimos anos; e o mais grave é que,
desde maio, os jogadores estão terminando longas
e desgastantes temporadas em clubes europeus.
Disse que, com exceção das eliminatórias,
não sacrificará jogadores considerados
os melhores, que exercem liderança ou que carregam
o time nas costas, devido ao estresse físico
e mental destes atletas que , no mínimo, jogaram
50 ou 60 partidas nos últimos 12 meses.
Feito este diagnóstico, fica claro que Fossati
não jogará a Copa América com Alvaro
Recoba, do Inter de Milão; Pablo García,
do Osasuna, da Espanha; Richard Núñez,
que joga no Grasshoppers da Suíça; Walter
Pandiani, do Deportivo La Coruña; Gianni Guigou,
do Siena da Itália; ou Javier Ernesto Chevantón,
uma das revelações na última temporada
do futebol italiano ao ser o artilheiro do modesto Lecce.
Com esses desfalques ou antecedentes podemos afirmar,
então, sem nenhum medo de errar , que a seleção
que representarará o Uruguai na Copa América
é uma incógnita. Sem dúvida nenhuma,
com bons ou maus resultados, sua integração
e rendimento se transformarão numa "descoberta"
para todos, do técnico ao público em geral.
Cuidado, nada do anterior leva a afirmar que a Celeste
jogará a Copa América como um time de
segundo escalão, porque são tantos os
jogadores que o Uruguai têm atuando no exterior,
que nos leva a crer que a maioria dos titulares serão,
pelo menos, jogadores de primeiro nível, já
que estão atuando em equipes estrangeiras. Certamente,
jogará Fabián Carini, no gol, por exemplo,
e Diego Forlán, no ataque.
Mas, definitivamente, nem com figuras de renome, a
participação no torneio do Peru deixará
de ser um banco de provas; não só para
a Celeste, mas fundamentalmente para um técnico
que, após ter passado pelos primeiros compromissos
ante Peru e Colômbia e pelas Eliminatórias,
tentará armar um time novo, a seu jeito, de acordo
com suas idéias futebolísticas e com o
propósito definido de que seu estilo de jogo
marque a chegada de um novo projeto. A tática
que propõem Fossati - com um definido 3-4-1-2
como sistema quase permanente, preferindo um bom toque
de bola em todos os setores do campo - não é
tão ofensiva quanto a que tentou impor Carrasco
que, apesar de ter conseguido alguns resultados positivos,
por outro lado, foi um fracasso diante de Paraguai e
Venezuela, ao levar 7 gols em 2 confrontos. Contudo,
ainda está longe de ser uma reencarnação
do padrão tradicional defensivo que costumava
ser a marca registrada do glorioso futebol uruguaio
durante o século XX.
Isto é outra coisa. Nem antiga, nem ultra-moderna.
O Uruguai de Fossati dá início, simplesmente,
a uma nova era. A Copa América é sua plataforma
de lançamento. De lá, o que aconteça
será toda uma descoberta.
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